Como escolher ponto comercial para loja de bairro
Como escolher ponto comercial: conte quem passa na calçada, veja se é o seu cliente e faça a conta do aluguel antes de assinar.
Como escolher ponto comercial sem se arrepender? Antes de assinar o aluguel, conte quem passa na calçada, veja se essa gente é o seu cliente e faça a conta do aluguel em cima do que você espera vender. Dá pra fazer tudo com um caderno, o celular e uma semana de atenção.
O ponto é a decisão mais difícil de desfazer. O contrato costuma ser longo, a reforma fica pra trás e a mudança custa caro. Errar o ponto é pagar todo mês por uma escolha feita num dia só.
Por que o ponto barato pode sair caro
Quase todo mundo que vai abrir loja começa pelo preço do aluguel. Acha uma sala barata numa rua tranquila e fecha.
O problema aparece no segundo mês. A rua é tranquila porque quase ninguém passa. E loja de bairro vive de quem passa.
Imagina um pet shop que abre numa rua sem saída, com aluguel pela metade do preço da avenida. Ele economiza no aluguel e gasta bem mais tentando fazer o cliente achar a loja. Panfleto, anúncio, desconto. Na avenida, a vitrine fazia esse trabalho de graça.
O contrário também acontece. A sala novinha, na rua mais famosa do bairro, com um aluguel que come o lucro do mês inteiro. Ponto bonito não paga boleto.
Como escolher ponto comercial contando quem passa
Esse é o passo que quase ninguém faz e o que mais ensina. Pegue o caderno, fique na frente do ponto e conte as pessoas que passam na calçada durante 15 minutos. Faça isso em três horários:
- De manhã, entre 8h e 9h, quando o povo vai trabalhar ou leva o filho na escola.
- Na hora do almoço, entre 12h e 13h.
- No fim da tarde, das 17h às 19h, quando todo mundo volta pra casa.
Repita num dia de semana e num sábado. Anote também quantos carros param e quantas pessoas entram nas lojas do lado.
Depois faça a mesma contagem no outro ponto que você está pensando. A comparação mostra o que a foto do anúncio não mostra. Às vezes a sala que parecia pior tem o dobro de gente passando na porta.
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Quem passa na calçada é o seu cliente?
Contar gente é metade do trabalho. A outra metade é reparar em quem é essa gente.
No caso do pet shop, o cliente é quem tem cachorro ou gato. Então, enquanto conta, olhe em volta. Passa gente passeando com cachorro? Tem prédio, casa com quintal, condomínio perto? Tem veterinário no quarteirão?
Uma rua cheia de escritório pode ter muita gente por hora e quase ninguém comprando ração na volta pra casa. Uma rua de casas, com menos movimento, pode ter justamente o tutor que leva o cachorro pro banho toda semana.
Converse com quem já trabalha ali. O dono da padaria da esquina, o porteiro do prédio, a moça da farmácia. Pergunte como é o movimento, se a rua alaga quando chove e por que a loja que estava naquele ponto fechou. Ponto que troca de dono toda hora é um aviso.
Dá pra parar o carro na porta?
Ninguém carrega um saco de ração de 15 quilos por três quarteirões. E ninguém quer andar com um cachorro molhado no colo até achar o carro.
Repare se tem vaga na rua, se é zona azul, se tem faixa amarela bem na frente. Veja se dá pra encostar rapidinho pra descer o cachorro do banho. Se o cliente precisa dar duas voltas no quarteirão toda vez, uma hora ele desiste e vai no concorrente que tem estacionamento.
Vale o mesmo pra mercadoria. Pergunte se o caminhão do fornecedor consegue parar ali pra descarregar.
Escolher ponto comercial: quanto do faturamento vai pro aluguel
Agora a conta. Ela é simples e evita a maioria dos arrependimentos.
Some tudo que você vai pagar pelo ponto todo mês: aluguel, condomínio, IPTU (no aluguel comercial ele costuma ficar com o inquilino), luz e água. Depois estime, com o pé no chão, quanto a loja vai vender por mês no começo.
Um exemplo com número redondo. Imagina que o pet shop espera vender R$ 20 mil por mês nos primeiros meses. O ponto custa R$ 4 mil somando tudo. Um quinto de tudo que entra vai embora antes de pagar a ração, o funcionário, o xampu do banho e você.
Pegue as outras contas do mês e veja se sobra alguma coisa. Se não sobra no papel, não vai sobrar na vida real. Aí é hora de procurar um ponto menor ou negociar.
E negocie mesmo. Peça um ou dois meses sem aluguel pra fazer a reforma. Pergunte como vai ser o reajuste. Leia o contrato inteiro e, se puder, mostre pra alguém de confiança que entende do assunto.
Antes de fechar, consulte na prefeitura se a sua atividade pode funcionar naquele endereço. Em muitas cidades isso se chama consulta de viabilidade e sai pela internet. Pet shop com banho e tosa ainda precisa de água, ralo e às vezes de licença da vigilância sanitária.
E se o seu negócio não é pet shop
O raciocínio serve pra qualquer loja de bairro. Muda só quem você procura na calçada.
- Padaria e lanchonete querem gente indo e voltando do trabalho, de preferência com ponto de ônibus perto.
- Salão e barbearia vão bem em rua residencial, onde o cliente volta sempre no mesmo lugar.
- Loja de roupa pede rua de comércio, onde o povo já sai de casa pra comprar.
- Oficina precisa de vaga, espaço pra manobrar e vizinho que aguente barulho.
Tem negócio que nem precisa de ponto no começo. Delivery, encomenda e serviço na casa do cliente podem começar em casa e só alugar quando as vendas pedirem. A gente mostrou um caminho assim em como abrir delivery de açaí em casa gastando pouco.
Esta semana, antes de visitar qualquer sala, separe um caderno e passe 15 minutos na frente de cada ponto em três horários diferentes. Leve os números pra conversa com o dono do imóvel.