História do Boticário: a farmácia que foi pro aeroporto
A história do Boticário começa numa farmácia de Curitiba e passa pelo aeroporto. A lição: pôr o produto no caminho de quem precisa.
A história do Boticário começa numa farmácia de manipulação pequena em Curitiba, em 1977. Dois anos depois, a primeira loja da marca abriu num lugar que pouca gente escolheria: o aeroporto. E ela funciona lá até hoje.
Essa escolha ensina uma coisa que serve pra qualquer loja de bairro. Em vez de esperar o cliente vir procurar, coloque o produto no caminho de quem já está precisando dele.
Uma farmácia na rua Saldanha Marinho
Em 1977, o farmacêutico Miguel Krigsner abriu uma farmácia de manipulação na rua Saldanha Marinho, em Curitiba.
Farmácia de manipulação é aquela que prepara o produto ali mesmo, muitas vezes sob encomenda. Creme, loção, remédio feito na medida. Um negócio de rua, do tamanho de tantos outros que existem em qualquer cidade.
Nada nesse começo parecia de empresa grande. Era uma farmácia pequena, com um dono que entendia do que fazia e um balcão esperando cliente.
A primeira loja da história do Boticário foi no aeroporto
Em 1979, a marca abriu a sua primeira loja no Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na região de Curitiba. A loja funciona lá até hoje e foi reinaugurada em abril de 2026.
Pensa em quem passa num aeroporto. Gente com pressa. Gente indo visitar a família, a namorada, um amigo. Gente que lembrou na última hora que ia chegar de mãos vazias.
Pra essa pessoa, um perfume ou um creme bem embalado resolve o problema em dois minutos. Ela não estava procurando a loja. A loja estava no caminho dela, na hora em que ela precisava de um presente.
Não dá pra saber tudo que passou pela cabeça dos donos naquela época. Mas dá pra ver o que aquele ponto oferecia: muita gente passando, com dinheiro no bolso e um motivo pra comprar.
Leia também: História da Cacau Show: 2 mil ovos e um empréstimo
Da farmácia ao Grupo Boticário
A marca cresceu e virou uma das mais conhecidas do Brasil, com lojas em shopping e rua de comércio pelo país todo.
Em 2010, Miguel Krigsner e Artur Grynbaum criaram o Grupo Boticário, que reúne a marca e outros negócios.
Mas o ponto que interessa pra quem tem um negócio pequeno está lá atrás, em 1979. Antes de ser gigante, a marca decidiu ficar onde o cliente já estava.
O que o pequeno aprende com a história do Boticário
Você não precisa abrir loja em aeroporto. Precisa achar os “aeroportos” do seu negócio: os lugares e momentos em que alguém já está precisando do que você vende.
Imagina uma loja de presentes e perfumaria numa rua de comércio. Ela pode aplicar a ideia em três lugares.
No balcão
Perto do caixa ficam as coisas que o cliente leva sem planejar. Um kit pequeno de creme já embrulhado, um sabonete bonito, um cartão. Quem veio comprar uma coisa leva outra, porque estava ali na mão.
Na vitrine
A vitrine fala com quem passa na calçada. No fim de ano, uma placa simples resolve a dúvida de muita gente: “Presente até R$ 50”. O preço é de exemplo, use o seu. Quem está com pressa entra porque já sabe que cabe no bolso.
No ponto de passagem
Feira de Natal do bairro, festa da escola, evento da igreja, a porta da estação. Uma mesinha com os kits prontos coloca a loja no caminho de quem nunca entraria nela.
Dá pra ir além com uma parceria. A floricultura do lado vende a flor, e você deixa ali três kits de creme pra quem quer completar o presente. A cafeteria da esquina deixa um cartãozinho seu no balcão em dezembro. Cada um coloca o outro no caminho do próprio cliente.
Pense em quem compra com pressa
O cliente do aeroporto tem poucos minutos. Isso vale pra boa parte dos seus clientes também. Então facilite:
- Deixe o preço à vista em tudo. Ninguém com pressa pergunta.
- Tenha alguns presentes já montados e embrulhados.
- Aceite Pix e cartão, com a maquininha sempre carregada.
- Embrulhe rápido. Pratique antes do movimento chegar.
Repare também no horário. Quem compra presente com pressa aparece no fim da tarde, no sábado de manhã e nos dias antes de uma data como Natal ou Dia das Mães. Nesses momentos, tenha mais gente no balcão e os kits já na frente.
Cada minuto a menos entre “gostei” e “paguei” é uma venda a mais no dia corrido.
E se o seu negócio não vende presente
A lição do Boticário serve pra qualquer um.
- A padaria põe o bolo de pote ao lado do caixa, onde todo mundo para pra pagar o pão.
- A oficina deixa palheta de limpador e lâmpada no balcão, à vista de quem veio trocar o óleo.
- O salão mostra o produto que acabou de usar no cabelo da cliente, ali na bancada.
Outras marcas cresceram com ideias parecidas, como a Coca-Cola, que colocou o produto na mão das pessoas antes de pedir dinheiro. A gente contou essa história em amostra grátis: como a Coca-Cola virou gigante dando produto.
Amanhã, fique cinco minutos olhando o caminho que o cliente faz da porta até o caixa. No fim desse caminho, coloque o produto que ele costuma levar sem pensar.