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Gestão

Como contratar o primeiro funcionário sendo MEI

Como contratar o primeiro funcionário sendo MEI: quanto custa de verdade por mês, o que precisa pra registrar e como treinar pra pessoa ficar.

Por Redação Alicerce· · 5 min de leitura
Edição00328 out 2026

Pra contratar o primeiro funcionário sendo MEI, você registra a pessoa com carteira assinada, paga o salário e recolhe todo mês uma guia com o INSS e o FGTS dela. O custo real fica bem acima do salário, então faça a conta antes. E escolha e treine com calma, porque trocar de funcionário toda hora sai caro.

Chega uma hora em que o dono do mercadinho não dá conta sozinho. Ele abre, repõe a prateleira, atende o caixa, vai no fornecedor e fecha. Contratar parece um passo enorme, e o medo de errar é grande. Dá pra fazer com segurança se você souber o que esperar.

O MEI pode contratar funcionário?

Pode. A regra que todo mundo conhece é de um empregado só, recebendo o salário mínimo ou o piso da categoria dele.

Isso está mudando. A Lei Complementar 238/2026, sancionada em 21/10/2026, deixa o MEI ter até 2 empregados. Antes de contratar o segundo, confirme com um contador a partir de quando essa parte passa a valer e se ela trouxe alguma condição nova. Pro primeiro funcionário, nada muda: já pode.

Quanto custa contratar o primeiro funcionário sendo MEI

Aqui mora a maior surpresa. O funcionário não custa só o salário.

Todo mês, além do salário, o MEI paga:

  • 3% de INSS sobre o salário, que é a parte do patrão.
  • 8% de FGTS sobre o salário, que vai pra conta do funcionário.

E precisa guardar dinheiro pra duas contas que chegam no fim do ano e nas férias:

  • 13º salário, um salário a mais por ano.
  • Férias, com um terço a mais.

Imagina, só como exemplo, um salário de R$ 1.700. O INSS do patrão dá R$ 51 e o FGTS dá R$ 136. Guardando um pedaço por mês pro 13º e pras férias, vão mais uns R$ 330. Somando tudo, esse funcionário custa perto de R$ 2.250 por mês. Se ele usa ônibus, ainda tem o vale-transporte: você desconta até 6% do salário dele e paga o que passar disso.

A conta é aproximada. Peça pro contador fechar com o salário certo da categoria. O que importa é a ideia: separe uns 30% a mais que o salário, todo mês.

O INSS do próprio funcionário é descontado do salário dele. Não sai do seu bolso, mas você é quem recolhe na guia.

Leia também: Prazo 13º salário 2026: o que o pequeno negócio paga

O que precisa pra registrar

O registro é mais simples do que parece, mas tem que ser feito antes do primeiro dia de trabalho.

  • Pede os documentos da pessoa: RG, CPF e comprovante de endereço. A carteira de trabalho hoje é digital, ligada ao CPF.
  • Manda a pessoa fazer o exame admissional numa clínica de medicina do trabalho. Quem paga é você.
  • Registra o funcionário no eSocial, no site do governo. É lá que você informa o salário e o horário, e é de lá que sai a guia mensal.
  • Paga o salário até o 5º dia útil do mês seguinte e a guia no prazo que o sistema mostrar.

Se nunca mexeu no eSocial, vale pagar um contador pra fazer o primeiro registro com você do lado, olhando. Nos meses seguintes, você já sabe o caminho.

Como escolher a pessoa certa

No mercadinho, o funcionário vai mexer no caixa, falar com o seu cliente e ficar sozinho na loja quando você sair. Confiança vem antes de experiência.

  • Pergunta pra clientes antigos e fornecedores se conhecem alguém. Indicação de quem você confia filtra muita coisa.
  • Na conversa, pergunta onde a pessoa trabalhou e por que saiu. Liga pro antigo patrão.
  • Combina uns dias de experiência, pagos, antes de fechar. Vê como ela trata o cliente e se chega no horário.
  • Explica com clareza o horário, o salário e o que ela vai fazer. Surpresa depois de contratado faz gente pedir as contas.

Como treinar pra ela não sair em um mês

Em 1913, a fábrica da Ford tinha um problema que pouca gente via. O trabalho era tão pesado e repetitivo que o pessoal não parava. Pra manter umas 14 mil pessoas trabalhando, a Ford teve que contratar mais de 50 mil naquele ano. Gente entrando, aprendendo e saindo o tempo todo.

No mercadinho acontece a mesma coisa em tamanho pequeno. Cada pessoa nova que sai leva junto o tempo que você gastou ensinando, os erros de caixa do começo e o cliente que ficou sem atendimento.

Pra segurar a pessoa, o começo é o que mais conta:

  • Primeira semana do seu lado. Ela observa você atendendo, abrindo o caixa, recebendo mercadoria.
  • Uma tarefa por vez. Primeiro o caixa. Quando estiver segura, a reposição. Depois o pedido do fornecedor.
  • Combinados no papel. Uma folha colada atrás do balcão com o que fazer ao abrir, ao fechar e quando faltar troco.
  • Conversa no fim da semana. Dez minutos pra perguntar o que ficou difícil. Ela vai trazer problema que você nem via.

Quando tiver mais de uma pessoa, a organização dos horários vira o próximo desafio. Tem um passo a passo em como fazer escala de funcionário na padaria sem confusão, que serve pra qualquer loja pequena.

E se o seu negócio não é mercadinho

O caminho é o mesmo pro salão que precisa de uma auxiliar, pra oficina que precisa de ajudante e pro delivery que precisa de alguém na cozinha. Muda o tipo de tarefa. A conta do custo, o registro e o cuidado com o começo são iguais.

Amanhã, pega o caderno e faz a conta com o salário da sua categoria, somando os 30% a mais. Se o seu caixa aguenta esse valor por seis meses seguidos, você está pronto pra começar a procurar.

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