Edição nº 010Quarta-feira, 4 de novembro de 2026 Instagram Newsletter
Panetone sobre tábua de madeira em mesa de mármore, cercado de nozes, pistaches e mirtilos
Histórias

História da Bauducco: da doceria pequena ao panetone

A história da Bauducco: Carlo chegou de Turim em 1948 com a massa madre e abriu uma doceria. A lição do produto de época pro pequeno.

Por Redação Alicerce· · 5 min de leitura
Edição0104 nov 2026

A história da Bauducco começa com um italiano de Turim, uma massa trazida na bagagem e uma doceria pequena em São Paulo. Carlo Bauducco chegou ao Brasil em 1948 e, em 1952, abriu a Doceria Bauducco, que fazia panetone com receita de família e muita coisa além dele.

É esse “muita coisa além dele” que interessa pra quem tem doceria, confeitaria ou padaria de bairro. Panetone vende em dezembro. E no resto do ano?

A história da Bauducco começa com a massa madre

Carlo veio de Turim, no norte da Itália, e chegou a São Paulo em 1948. Trouxe com ele a massa madre italiana, aquele fermento natural que passa de mão em mão e dá o sabor e a textura do panetone.

Ele não trouxe máquina nem fábrica. Trouxe o que sabia fazer e o ingrediente que fazia diferença.

Em 1952 abriu a Doceria Bauducco, uma confeitaria pequena. A família trabalhava junto: Margherita e o filho Luigi ajudaram Carlo a fazer o primeiro panetone artesanal da casa.

Aqui cabe uma honestidade. As fontes não batem sobre o endereço da primeira loja. Umas contam que foi no Brás, outras falam da rua Afonso Pena, no Bom Retiro. E a Bauducco não foi a primeira a vender panetone em São Paulo: segundo a Gazeta de S.Paulo, a Confeitaria Castelões já vendia no século XIX.

Ninguém ali inventou o panetone. A família fez um panetone tão bem feito que o nome dela virou uma das marcas mais lembradas quando se fala no produto.

Uma doceria que vendia o ano inteiro

Tem uma parte que pouca gente repara. A doceria não vivia só de panetone. Fazia biscoito tipo champanhe, doces e salgados.

Faz todo sentido. Panetone é produto de época. Vende muito no fim do ano e quase nada em fevereiro. Se a doceria vivesse só dele, passaria dez meses esperando dezembro.

O biscoito, o doce e o salgado pagavam as contas o ano todo. O panetone trazia a fama e o movimento do Natal.

Hoje a marca está em quase todo supermercado do país, com panetone no fim do ano e biscoito e wafer na prateleira em qualquer mês. A lógica da doceria pequena continua ali.

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O que a história da Bauducco ensina pra doceria de bairro

São duas partes, e uma depende da outra.

Um produto de época que vira tradição

Imagina uma doceria de bairro que faz um panetone caseiro de verdade, com receita da avó. Se ele é bom, o cliente compra em dezembro, gosta e volta no ano seguinte. Depois de alguns Natais, vira costume: “o panetone daquela doceria da esquina”.

Tradição é cliente que volta sem você precisar chamar. Pra isso o produto tem que ser igual todo ano. Mesma receita, mesmo capricho, mesma embalagem. Se mudar muito, o cliente estranha.

Dá pra ajudar essa tradição a nascer:

  • Anote no caderno o nome e o WhatsApp de quem comprou panetone este ano
  • No começo de novembro do ano que vem, mande uma mensagem avisando que abriu a encomenda
  • Coloque na embalagem um cartãozinho contando de onde veio a receita

Oi, Cláudia! Abriu a encomenda do nosso panetone. É a mesma receita do ano passado. Quer garantir o seu?

Ter o que vender em janeiro

O panetone sai da prateleira e o movimento cai. Quem não se preparou sente no caixa. Junto com o produto de época, a doceria precisa de dois ou três produtos que vendem em qualquer mês: um biscoito, um bolo de pote, um salgado de encomenda.

E guarde parte do dinheiro de dezembro pra janeiro. O mês forte paga o mês fraco. Tem um texto aqui sobre quanto guardar pro janeiro fraco que ajuda nessa conta.

Da confeitaria pequena à Casa Bauducco

Em 2012, a marca criou a Casa Bauducco, uma rede de cafeterias inspirada na confeitaria do começo. Depois de virar empresa grande, ela voltou pro formato da loja pequena, com balcão, café e doce.

Repara no recado. O balcão, o cheiro de forno e o atendimento de perto, que a doceria de bairro tem de sobra, continuaram valendo pra uma marca enorme. Quem tem uma loja pequena já tem isso de graça.

E se o seu negócio não é doceria

A ideia vale pra muito negócio. A loja de roupa tem a roupa de festa no fim do ano. A papelaria tem a volta às aulas. A floricultura tem o Dia das Mães. O açaí tem o verão. Cada um tem a sua época forte e precisa de um produto que vira tradição nela, e de outro que segura o resto do ano.

Hoje, anote no caderno qual é o seu produto de época e qual é o produto que vende em janeiro. Se a segunda linha ficou vazia, você já sabe o que testar antes do Natal.

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