História da Chilli Beans: da feira de moda ao shopping
Caito Maia vendia óculos em um estande de feira antes de abrir loja. Veja a história da Chilli Beans e como testar seu produto gastando pouco.
A história da Chilli Beans começa com um estande de óculos de sol numa feira de moda de São Paulo, no fim dos anos 90. Hoje a marca tem centenas de lojas no Brasil e em outros países. O começo dela serve pra qualquer pessoa que acha que precisa de loja pronta pra abrir um negócio.
Dá pra entender o medo. Ponto comercial tem aluguel, reforma e conta de luz antes de a primeira venda acontecer. Quem coloca tudo isso na frente, sem saber se o produto sai, pode ficar sem dinheiro antes de aprender qualquer coisa. O caminho de Caito Maia, fundador da Chilli Beans, foi outro, e tem coisas que dá pra copiar com pouco dinheiro.
Quem é Caito Maia, o músico que vendia óculos
Antes de virar empresário conhecido, Caito Maia era músico. Ele também trazia óculos de sol em viagens aos Estados Unidos e revendia aqui no Brasil.
Repara no tamanho desse começo. Sem fábrica. Sem marca. Uma pessoa comprando produto numa viagem e procurando quem quisesse comprar. Quem hoje traz roupa da Rua 25 de Março ou de Goiânia pra revender no bairro está fazendo uma coisa bem parecida, guardadas as diferenças.
A história da Chilli Beans passa por um negócio que não deu certo
Antes da Chilli Beans, Caito teve uma revenda multimarcas de óculos. Não deu certo. Sobrou estoque.
Quem já teve mercadoria parada sabe como isso dói. O dinheiro está ali, em cima da prateleira, e não paga conta nenhuma. Com óculos encalhados na mão, ele foi vender o que restou no Mercado Mundo Mix, uma feira de moda.
Foi um jeito de levar o produto até um lugar onde já circulava o tipo de cliente que podia se interessar por ele. Em vez de esperar o comprador entrar numa loja, ele colocou os óculos no caminho dessas pessoas.
Leia também: Como escolher ponto comercial para loja de bairro
Do estande na feira à primeira loja da Chilli Beans
A marca surgiu num estande no Mundo Mix, no fim dos anos 90. As fontes divergem sobre o ano exato, se 1997 ou 1998, mas a ordem dos acontecimentos é o que interessa aqui.
Primeiro veio o estande. Só em 1999 abriu a primeira loja, na Galeria Ouro Fino, na Rua Augusta, em São Paulo. Uma galeria, ainda longe de uma loja de shopping com vitrine enorme.
Essa ordem ensina bastante:
- A feira serviu como teste, com custo bem menor que o de um ponto próprio.
- A primeira loja veio depois de ele já ter vendido pra gente de verdade.
- O crescimento pra centenas de lojas aconteceu com o passar dos anos, e não de uma vez.
Hoje a Chilli Beans é uma das marcas de óculos mais conhecidas do país. As contagens variam conforme a fonte, e o mais seguro é falar em centenas de lojas.
O que a história da Chilli Beans ensina pra quem é pequeno
A lição mais direta: teste o produto onde o cliente já circula, gastando pouco, antes de assumir o custo de um ponto próprio.
Pensa no que um estande ou uma barraca entrega rápido. Você vê a reação de quem passa. Escuta a pergunta que ninguém faz por mensagem. Descobre qual modelo sai primeiro e qual preço faz a pessoa virar as costas. Numa loja recém-aberta, você aprenderia as mesmas coisas pagando aluguel durante todo o processo.
Tem também um ponto sobre erro. A revenda de Caito não deu certo, e foi tentando se livrar da sobra que ele chegou à feira. Quem está com estoque parado pode olhar pra essa história e se perguntar: em que lugar estão as pessoas que comprariam isso, e eu ainda não fui até lá?
Como testar seu produto em feira antes de abrir loja
Imagina uma pessoa que faz brinco artesanal em casa e sonha com uma lojinha no centro. Um teste assim cabe no orçamento e pode ser adaptado pra outros produtos:
- Escolha o lugar pelo cliente. Feira de bairro, evento de escola, bazar de igreja, feira de artesanato. Vai aonde o seu comprador já costuma ir.
- Pergunta o custo antes. Calcula quantas peças precisa vender só pra pagar o espaço e o transporte.
- Leva pouca variedade. Fica mais fácil descobrir o que vende.
- Anota tudo. O que saiu, o preço, o horário e as perguntas que ouviu. Um caderno basta.
- Pega o contato. Coloca um cartão ou um QR code do seu WhatsApp em cada venda, pra pessoa poder comprar de novo depois.
- Repete mais de uma vez. Um dia só pode enganar, pro bem ou pro mal.
Depois de algumas feiras, a decisão de abrir um ponto fica muito mais segura. Você já sabe o que vende, quem compra e quanto entra em um dia bom e em um dia ruim. Com esses números, dá pra saber se o aluguel cabe. Pra planejar melhor essa etapa, veja como testar ideia de negócio gastando pouco.
E se o seu negócio é serviço, e não produto?
O raciocínio continua valendo. Quem quer abrir um salão pode começar atendendo em casa ou alugando uma cadeira. Quem quer abrir uma lanchonete pode testar o cardápio numa barraca de evento ou por encomenda. A história da Cacau Show é outro bom exemplo de marca grande que começou pequena.
Se você está adiando seu negócio por falta de loja, procura hoje uma feira ou um evento perto de você e pergunta quanto custa participar da próxima edição.