Como calcular preço de marmita sem ficar no prejuízo
Como calcular preço de marmita com conta simples: ingredientes, embalagem, gás, taxa da maquininha e o seu salário. Dá pra fazer no caderno.
Pra calcular preço de marmita sem ficar no prejuízo, some quatro coisas: o custo dos ingredientes de uma marmita, a embalagem, o gás e a luz, e o seu salário. Depois, deixe espaço pra taxa da maquininha ou do aplicativo e pro lucro. Dá pra fazer no caderno, em meia hora.
Muita gente que vende marmita copia o preço do vizinho. Só que o vizinho pode comprar mais barato, fazer uma porção menor ou estar perdendo dinheiro sem saber. Quando você copia o preço, copia também o prejuízo dele.
Por que copiar o preço do vizinho dá prejuízo
Imagina duas cozinhas na mesma rua, as duas vendendo a R$ 15. Uma coloca 150 gramas de frango, compra no atacado e não paga aluguel. A outra coloca 200 gramas, compra no mercado do bairro e ainda paga o motoboy.
Mesmo preço, conta completamente diferente. A primeira ganha. A segunda trabalha o dia inteiro pra empatar e nem percebe, porque o dinheiro entra todo dia e parece que está sobrando.
O preço do vizinho serve pra uma coisa só: saber se o seu está muito fora do bairro. Ele não diz quanto você precisa cobrar.
Como calcular preço de marmita: o custo do prato
O jeito mais simples de achar o custo de uma marmita é pela compra. Em vez de pesar cada grão de arroz, você faz assim:
- guarda a nota de tudo o que comprou pra um dia de produção;
- soma o valor;
- divide pelo número de marmitas que saíram.
Um exemplo com números redondos. Imagina que, pra fazer 20 marmitas de frango com arroz, feijão, salada e farofa, você gastou R$ 130 no mercado. Arroz, feijão, frango, legumes, óleo, tempero, tudo.
R$ 130 dividido por 20 dá R$ 6,50 por marmita. Esse é o custo dos ingredientes.
Faça essa conta pra cada prato do cardápio. A marmita de carne custa mais que a de frango. A de feijoada, mais que as duas. Cada uma tem o seu preço.
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Embalagem, gás e as contas que ninguém lembra
Aqui mora o prejuízo de muita marmitaria. Ingrediente todo mundo lembra. O resto some da conta.
- Embalagem. O marmitex, a tampa, o talher descartável, o guardanapo, o saquinho. No nosso exemplo, R$ 1 por marmita.
- Gás. Anota o dia em que trocou o botijão e conta quantas marmitas saíram até acabar. Se um botijão de R$ 120 rendeu 300 marmitas, são R$ 0,40 cada.
- Luz, água e detergente. A geladeira ligada, a louça lavada. Põe mais uns centavos. No exemplo, R$ 0,10.
Somando: R$ 6,50 de ingredientes, R$ 1 de embalagem e R$ 0,50 de gás e contas. A marmita custa R$ 8 pra ficar pronta.
O seu salário entra no preço
Esse é o item que quase todo mundo esquece. Você acorda cedo, compra, cozinha, monta, entrega e lava tudo. Esse trabalho tem que ser pago. Se não entrar na conta, você trabalha de graça.
Decide quanto quer tirar por mês. No exemplo, R$ 2.000. Depois vê quantas marmitas vende no mês. Se são 20 por dia, durante 25 dias, dá 500 marmitas.
R$ 2.000 dividido por 500 dá R$ 4 por marmita. Esse é o seu salário dentro de cada uma.
Agora a conta fica assim: R$ 8 de custo mais R$ 4 do seu salário. A marmita precisa trazer R$ 12 só pra empatar.
A conta final do preço de marmita
Falta o que sai em cima do preço: a taxa da maquininha ou do aplicativo, e o lucro. Lucro é diferente do seu salário. Ele fica no negócio, pra comprar uma panela nova, segurar um mês fraco ou trocar o freezer.
Imagina que a maquininha fica com 5% e você quer guardar 15% de lucro. Juntos, são 20% do preço. Sobram 80% pra pagar os R$ 12.
A conta no caderno é: R$ 12 dividido por 0,80. Dá R$ 15. Esse é o preço pra vender direto, pelo seu WhatsApp.
No aplicativo de entrega, a taxa costuma ser bem maior. Olha no seu contrato quanto ele fica. Imagina que seja 25%. Com os 15% de lucro, são 40%. Sobram 60%. R$ 12 dividido por 0,60 dá R$ 20.
Repara no tamanho da diferença. Se você cobra R$ 15 no aplicativo, como cobra no WhatsApp, perde dinheiro em cada marmita que sai por lá. Faz sentido ter um preço pra cada canal e chamar o cliente do aplicativo pra pedir direto da próxima vez.
Se você mesmo entrega, ou paga um motoboy, a entrega entra separada, como taxa, ou dentro da conta, somada no custo.
E se você não vende marmita?
A conta é a mesma pra quem vende comida feita em casa. O bolo de pote, o salgado congelado, o docinho de festa, o pão de mel. Ingrediente dividido pelo que rendeu, mais embalagem, gás e contas, mais o seu salário. Depois, divide pelo que sobra tirando taxa e lucro.
Muda o número. O caminho é o mesmo.
Hoje, quando fizer a compra pro dia de amanhã, guarda a nota. Amanhã à noite, divide o total pelo número de marmitas que saíram dela. É o primeiro número da sua conta.


