Como calcular o valor da hora de serviço do autônomo
Como calcular o valor da hora de serviço do autônomo com uma conta simples: o que quer tirar, os custos e as horas de trabalho de verdade.
Pra calcular o valor da hora de serviço, some quanto você quer tirar no mês com todos os custos do trabalho e divida pelo número de horas em que você trabalha de verdade, com a mão no serviço. Trânsito e orçamento ficam fora dessa conta de horas, porque ninguém paga por eles diretamente.
Muito autônomo cobra “o que os outros cobram”. Só que o outro tem outro custo, outra rotina, e às vezes também não sobra nada pra ele no fim do mês. Quem copia o preço do vizinho pode estar copiando o prejuízo junto.
Passo 1 pra calcular o valor da hora: quanto você quer tirar
Comece pelo que precisa sobrar pra você e pra sua casa. Aluguel, mercado, luz, escola dos filhos. Esse é o seu salário, como se você fosse funcionário de si mesmo.
Vamos usar um exemplo com números redondos. Imagina um eletricista autônomo que quer tirar R$ 4.000 por mês pra casa.
Se você não sabe esse número, olhe o extrato dos últimos três meses e veja quanto a casa gastou. É um bom ponto de partida.
Passo 2: some os custos do trabalho
Agora entra tudo o que você gasta pra conseguir trabalhar. Muita gente esquece metade. Pegue os comprovantes do último mês e anote:
- Gasolina ou passagem pra ir até o cliente.
- Manutenção do carro ou da moto.
- Ferramenta que quebra, gasta ou precisa trocar.
- Celular e internet, porque é por eles que o cliente chega.
- O DAS do MEI, aquele boleto que vem todo mês.
- Uma reserva pra mês fraco, férias e imprevisto.
No nosso exemplo, vamos dizer que tudo isso dá R$ 1.000 por mês. Somando com o que ele quer tirar, o eletricista precisa faturar R$ 5.000 por mês pra fechar as contas do jeito que planejou.
Leia também: Vale a pena abrir MEI sendo manicure? A conta simples
Passo 3: conte só as horas que você trabalha de verdade
Muita gente pensa assim: “trabalho 8 horas por dia, 22 dias no mês, então são 176 horas”. Só que nem todas essas horas viram dinheiro.
Pensa num dia comum do eletricista do exemplo:
- Uma hora e meia no trânsito, indo e voltando dos clientes.
- Uma hora fazendo orçamento, respondendo WhatsApp e passando na loja de material.
- Um tempo perdido entre um serviço e outro, esperando o cliente chegar ou a peça aparecer.
No fim, das 8 horas, sobram umas 5 com a mão no serviço. Em 22 dias, são 110 horas que o cliente paga de verdade.
Se você não sabe o seu número, anote por duas semanas no caderno: hora em que começou cada serviço e hora em que terminou. Costuma dar bem menos do que a gente imagina.
A conta do valor da hora de serviço
Agora é só dividir:
R$ 5.000 (o que precisa faturar) ÷ 110 horas = mais ou menos R$ 45 por hora
Esse é o mínimo. Abaixo disso, o eletricista do exemplo trabalha o mês inteiro e não chega no que precisa.
Se ele tivesse dividido pelas 176 horas, ia achar uns R$ 28 por hora. Ia cobrar uns R$ 17 a menos em cada hora, sem perceber, e no fim do mês ia achar que o problema era falta de cliente.
Com o valor da hora em mãos, montar orçamento fica fácil:
- Troca de chuveiro que leva 1 hora: R$ 45 de mão de obra.
- Instalação que leva 4 horas: R$ 180 de mão de obra.
- Material sempre à parte, com a nota.
Serviço muito rápido pode ter um valor mínimo de visita. O tempo de ir e voltar existe do mesmo jeito, mesmo quando o conserto leva quinze minutos.
E se o valor da hora ficou alto demais?
Às vezes a conta dá um número maior do que o bairro está acostumado a pagar. Antes de baixar, olhe três coisas:
- Dá pra perder menos tempo no trânsito? Junte serviços da mesma região no mesmo dia.
- Dá pra cobrar o orçamento? Orçamento longe e demorado pode ter uma taxa, descontada se o cliente fechar o serviço.
- Algum custo dá pra cortar? Plano de celular caro, ferramenta alugada toda semana que valia a pena comprar.
Cada hora a mais com a mão no serviço baixa o valor que você precisa cobrar. Só depois de olhar isso pense em mexer no quanto quer tirar.
E se o seu serviço não é elétrica?
Encanador, diarista, pintor, manicure, técnico de celular, professor particular. A conta é a mesma pra qualquer um que vende o próprio tempo: o que quer tirar, mais os custos, dividido pelas horas que o cliente paga.
Quem vende produto, como comida, faz a conta pelo custo de cada unidade, e o jeito muda um pouco. Tem um exemplo disso em como calcular preço de marmita sem ficar no prejuízo.
Hoje à noite, escreva três números num papel: quanto quer tirar, quanto gasta pra trabalhar e quantas horas trabalha de verdade. Faça a divisão e use o resultado no próximo orçamento que mandar.


